Nesta unidade, vamos compreender os fenômenos do fascismo e do nazismo, analisando suas principais características e seu funcionamento. Essa compreensão nos ajuda a perceber como a democracia pode ser destruída e como a violência pode ser transformada em política de Estado. A reflexão de Hannah Arendt sobre a banalidade do mal amplia essa discussão ao questionar o papel da obediência e da responsabilidade individual.
Objetivos:
Compreender o contexto histórico de surgimento do fascismo e do nazismo.
Identificar suas principais características políticas e ideológicas.
Analisar o papel da propaganda, da violência e da construção do inimigo.
Refletir sobre a banalidade do mal e a responsabilidade individual a partir de Hannah Arendt.
Pensadores estudados: Hannah Arendt | Eric Hobsbawm | Robert Paxton | Norberto Bobbio
No início do século XX, a Europa atravessou uma crise profunda. A Primeira Guerra Mundial havia deixado milhões de mortos, economias destruídas e sociedades profundamente abaladas. Ao mesmo tempo, antigas certezas políticas começavam a perder força. Monarquias desapareceram, movimentos operários ganharam importância, o socialismo e o comunismo passaram a mobilizar parcelas significativas da população e as democracias liberais enfrentavam dificuldades para responder aos conflitos sociais e econômicos que se intensificavam. Foi nesse ambiente de instabilidade que surgiram e ganharam força movimentos políticos que prometiam restaurar a ordem, recuperar o orgulho nacional e eliminar aqueles que apresentavam como responsáveis pela crise.
O fascismo italiano e o nazismo alemão foram os exemplos mais importantes desse fenômeno. Embora frequentemente sejam apresentados juntos, eles não eram exatamente a mesma coisa. O fascismo surgiu primeiro na Itália, sob a liderança de Benito Mussolini, e chegou ao poder em 1922. O nazismo desenvolveu-se posteriormente na Alemanha, tendo Adolf Hitler como principal liderança, e conquistou o governo em 1933. Havia entre eles importantes afinidades — autoritarismo, nacionalismo radical, anticomunismo, rejeição da democracia liberal, culto ao líder, uso sistemático da propaganda e da violência política —, mas o nazismo acrescentou a essas características uma concepção racial particularmente radical, que colocou o antissemitismo e a ideia de uma suposta hierarquia biológica entre os povos no centro de seu projeto político.
Para compreender esses movimentos, é preciso olhar para as condições históricas que os tornaram possíveis. O fascismo não apareceu simplesmente porque algumas pessoas decidiram abandonar a democracia. Ele cresceu em sociedades marcadas por conflitos reais e por uma sensação generalizada de insegurança. A Primeira Guerra Mundial havia produzido uma experiência de violência em escala inédita e deixado profundas dificuldades econômicas e sociais. Na Itália, apesar de estar entre os vencedores da guerra, difundiu-se a sensação de que o país não havia recebido as recompensas que esperava. O desemprego, a inflação, os conflitos entre trabalhadores e empresários e o crescimento dos movimentos socialistas alimentaram o medo entre setores das classes médias e das elites econômicas.
Foi nesse contexto que os fascistas apresentaram uma promessa aparentemente simples: reconstruir a autoridade, recuperar a grandeza nacional e acabar com os conflitos políticos considerados responsáveis pela desordem. Mussolini e seus seguidores exploraram o medo do socialismo e do comunismo, mas também o ressentimento produzido pela crise e pela sensação de decadência nacional. Os fascistas apresentavam-se como defensores da ordem e da unidade da nação contra aquilo que chamavam de inimigos internos.
A violência teve um papel decisivo nesse processo. Os fascistas organizaram grupos paramilitares, conhecidos como camisas negras, que atacavam sindicatos, organizações socialistas, jornais e adversários políticos. A violência não era apenas um instrumento ocasional. Ela fazia parte da própria maneira de fazer política. Ao mesmo tempo em que intimidavam os adversários, os fascistas procuravam demonstrar que o Estado liberal era incapaz de manter a ordem e que somente um governo forte poderia fazê-lo.
Em 1922, a Marcha sobre Roma pressionou o rei Vítor Emanuel III, que convidou Mussolini para formar o governo. A partir daí, o fascismo italiano foi desmontando progressivamente as instituições democráticas. A oposição foi perseguida, a imprensa submetida ao controle do regime, os sindicatos independentes foram eliminados e o poder político foi concentrado nas mãos de Mussolini. A Itália continuou formalmente possuindo algumas instituições, mas o espaço para a oposição e para a participação política autônoma foi sendo destruído.
O fascismo, portanto, não deve ser entendido apenas como uma ditadura tradicional. Ele procurava mobilizar a sociedade. Não queria simplesmente que as pessoas obedecessem ao Estado; queria que se identificassem com a nação, com o regime e com seu líder. Desfiles, símbolos, discursos, uniformes, cerimônias públicas e organizações destinadas à juventude contribuíam para produzir essa identificação. A política transformava-se também em espetáculo.
O nazismo alemão compartilhou muitos desses elementos, mas surgiu em circunstâncias ainda mais dramáticas. A Alemanha havia sido derrotada na Primeira Guerra Mundial e submetida às condições do Tratado de Versalhes. A recém-criada República de Weimar enfrentava dificuldades políticas e econômicas, enquanto diferentes grupos sociais disputavam os rumos do país. A situação tornou-se especialmente grave com a crise econômica mundial iniciada em 1929. O desemprego atingiu milhões de alemães, empresas faliram e a confiança nas instituições democráticas diminuiu.
Hitler soube explorar esse ambiente. O Partido Nazista apresentou-se como uma alternativa àquilo que chamava de decadência da Alemanha. Prometia restaurar a economia, recuperar a força militar, superar as condições impostas pelo Tratado de Versalhes e reconstruir a unidade nacional. Mas havia algo mais profundo em sua proposta: o nazismo precisava construir uma explicação para os problemas alemães e, para isso, criou uma imagem poderosa do inimigo.
O antissemitismo não era uma invenção do nazismo. O preconceito contra judeus possuía uma longa história na Europa. O que os nazistas fizeram foi transformar esse preconceito em uma doutrina política e racial sistemática. Para a ideologia nazista, os judeus não eram simplesmente um grupo religioso ou cultural. Eram apresentados como uma ameaça biológica e política à suposta comunidade racial alemã. Outros grupos também foram perseguidos e classificados como inferiores, indesejáveis ou perigosos, entre eles povos considerados racialmente inferiores, pessoas com deficiência, ciganos, homossexuais e opositores políticos de esquerda.
Essa construção do inimigo foi fundamental. Quando uma sociedade enfrenta problemas complexos, existe sempre a tentação de procurar uma explicação simples e um responsável claramente identificável. O nazismo ofereceu exatamente isso. Em vez de interpretar a crise alemã como resultado de fatores econômicos, políticos e históricos diversos, transformou grupos humanos em culpados pela decadência nacional. A política passou a ser apresentada como uma luta entre aqueles que pertenciam à comunidade nacional e aqueles que supostamente a ameaçavam.
É importante perceber que o nazismo não chegou ao poder apenas pela força. O Partido Nazista conseguiu conquistar milhões de votos e construir uma ampla base de apoio. Hitler foi nomeado chanceler em janeiro de 1933 dentro das estruturas institucionais existentes. Depois disso, porém, o regime destruiu rapidamente as condições que permitiam a existência de uma democracia. Partidos políticos foram proibidos, sindicatos independentes foram eliminados, opositores foram presos e a imprensa passou a ser submetida ao controle do Estado. A polícia política e os campos de concentração tornaram-se instrumentos de repressão.
A propaganda ocupou um lugar central nesse processo. O regime compreendeu que controlar uma sociedade não significava apenas controlar suas instituições, mas também disputar aquilo que as pessoas consideravam verdadeiro. Rádio, cinema, jornais, cartazes, discursos públicos e educação foram utilizados para difundir a visão de mundo nazista. O regime procurava apresentar Hitler como a encarnação da vontade nacional e, ao mesmo tempo, produzir uma imagem permanente de ameaça. O cidadão deveria sentir que pertencia a uma comunidade ameaçada por inimigos internos e externos.
Essa combinação entre propaganda, repressão e mobilização ajuda a compreender o funcionamento dos regimes fascistas. A violência não aparecia isoladamente. Ela era acompanhada por discursos que procuravam justificá-la. A perseguição era apresentada como defesa da sociedade. A censura era apresentada como proteção contra ideias perigosas. A eliminação da oposição era apresentada como necessária para preservar a unidade nacional. A exclusão de determinados grupos era apresentada como uma forma de proteger a comunidade.
É nesse ponto que se percebe uma característica fundamental do fascismo e do nazismo: a transformação do pluralismo em ameaça. Uma democracia parte da ideia de que uma sociedade é formada por pessoas e grupos diferentes, com interesses, opiniões e projetos distintos. O conflito político faz parte da vida democrática, desde que existam regras que permitam sua expressão. O fascismo, ao contrário, tende a considerar o conflito e a diversidade sinais de fraqueza ou de desordem. A sociedade deveria formar um corpo único, unido em torno da nação e de uma liderança forte.
Daí também a importância do culto ao líder. Mussolini era apresentado como símbolo da força e da reconstrução italiana; Hitler, como o Führer que personificaria a vontade do povo alemão. O líder não era apenas um governante. Ele era apresentado como alguém capaz de compreender aquilo que a própria sociedade, supostamente dividida e confusa, não conseguia compreender por si mesma. A obediência ao líder podia então ser apresentada como uma forma de patriotismo.
O nazismo levou essas ideias a consequências extremas. A expansão territorial foi incorporada ao projeto político por meio da noção de Lebensraum, o “espaço vital”. Os nazistas defendiam que o povo alemão precisava conquistar territórios, sobretudo no Leste Europeu, para garantir seu desenvolvimento. Essa expansão estava ligada à própria hierarquia racial da ideologia nazista: os povos considerados superiores teriam o direito de dominar aqueles classificados como inferiores.
A Segunda Guerra Mundial foi, portanto, inseparável da ideologia nazista. A conquista territorial, a perseguição racial e a guerra faziam parte de um mesmo projeto. Nos territórios ocupados, milhões de pessoas foram perseguidas, deportadas, escravizadas e assassinadas. O genocídio dos judeus europeus, conhecido como Holocausto, não foi um acontecimento separado da política nazista, mas uma consequência extrema de uma ideologia que havia transformado determinados seres humanos em inimigos absolutos.
O caso nazista mostra até onde pode chegar uma política fundada na desumanização. Antes que uma pessoa seja perseguida ou assassinada em massa, é necessário que algum discurso a transforme em algo menos que um semelhante. Quando um grupo passa a ser descrito como doença, ameaça, praga, inimigo ou elemento contaminador da sociedade, torna-se mais fácil justificar sua exclusão. A linguagem prepara o terreno para a violência.
Partindo disso, a reflexão da filósofa Hannah Arendt se torna especialmente importante. Em 1961, Arendt acompanhou em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, funcionário do regime nazista que havia desempenhado papel importante na organização da deportação de judeus para os guetos e campos de extermínio. Arendt esperava encontrar uma espécie de monstro, alguém cuja aparência ou personalidade revelasse uma maldade extraordinária. O que encontrou foi algo mais perturbador.
Eichmann não se apresentava como um grande ideólogo ou como alguém tomado por uma paixão pessoal extraordinária pelo assassinato. Apresentava-se como um funcionário que havia cumprido suas tarefas, uma pessoa comum. Repetia que apenas obedecera ordens, que fizera seu trabalho e que seguira as regras estabelecidas pelo Estado. Para Arendt, essa postura levantava uma questão muito mais profunda do que a simples pergunta sobre se Eichmann era uma pessoa má.
A questão era: como seres humanos comuns podem participar de sistemas que produzem um mal extraordinário?
É nesse contexto que surge a expressão “banalidade do mal”. Arendt não quis dizer que os crimes de Eichmann eram banais, pequenos ou pouco importantes. O extermínio de milhões de pessoas está justamente no extremo oposto da banalidade. O que poderia ser banal era a forma de pensar daquele que participava da máquina administrativa do crime.
A banalidade estava na superficialidade, na incapacidade — ou recusa — de pensar criticamente sobre aquilo que se estava fazendo. Eichmann parecia preocupado principalmente em cumprir sua função dentro de uma estrutura burocrática, em ser promovido profissionalmente e em ser reconhecido como um bom cidadão. Em vez de perguntar se determinada ordem era justa ou injusta, limitava-se a perguntar como deveria executá-la. A responsabilidade moral era substituída pela obediência administrativa.
Essa é uma das ideias mais desconcertantes de Arendt: o mal pode não depender sempre de pessoas excepcionalmente perversas. Pode também ser produzido por pessoas que deixam de pensar sobre as consequências de seus próprios atos e passam a enxergar sua responsabilidade como mera execução de uma tarefa.
A burocracia pode contribuir para isso porque divide uma ação em pequenas funções. Uma pessoa organiza transportes. Outra prepara documentos. Outra administra instalações. Outra registra nomes. Outra vigia prisioneiros. Quando cada indivíduo enxerga apenas sua pequena tarefa, o resultado final pode desaparecer de seu campo de visão. A responsabilidade parece sempre pertencer a outra pessoa: ao superior que deu a ordem, ao funcionário que executou outra etapa ou ao sistema como um todo.
Mas Arendt não estava dizendo que Eichmann era inocente porque obedecia ordens. Pelo contrário. Sua reflexão chama atenção justamente para o perigo de aceitar a obediência como desculpa para abandonar o julgamento moral. Existem situações em que cumprir uma ordem significa participar de uma injustiça. O fato de uma ação ser legal dentro de determinado regime não significa que ela seja moralmente legítima.
A reflexão de Arendt também nos ajuda a compreender por que a destruição da democracia não acontece necessariamente de uma só vez. Ela pode começar quando determinadas pessoas deixam de ser vistas como cidadãos; quando a violência contra adversários passa a ser considerada aceitável; quando a mentira política se torna normal; quando instituições são enfraquecidas; quando a propaganda substitui o debate; quando a obediência é colocada acima da responsabilidade; quando a sociedade passa a acreditar que alguns seres humanos possuem menos direitos que outros.
Por isso, estudar fascismo e nazismo não significa apenas estudar regimes políticos que pertencem ao passado. Significa compreender como sociedades democráticas podem ser corroídas quando o medo, o ressentimento, a intolerância e a desumanização passam a ocupar o lugar do debate político ainda hoje. Também significa compreender que nenhuma instituição democrática funciona sozinha. Ela depende de cidadãos capazes de reconhecer o outro como sujeito de direitos e de pensar criticamente sobre as ordens, discursos e valores que recebem.
A lição de Arendt talvez esteja justamente aí. O problema não é apenas a existência de indivíduos extremamente cruéis. O problema também aparece quando pessoas comuns deixam de julgar aquilo que fazem, quando transformam a obediência em virtude absoluta e quando aceitam que a responsabilidade moral pode ser transferida para alguma autoridade superior.
O fascismo e o nazismo mostraram, de maneira brutal, o que acontece quando a política transforma diferenças em ameaças, a propaganda transforma preconceitos em verdades e o Estado transforma a violência em procedimento. A banalidade do mal, por sua vez, nos obriga a olhar para uma dimensão menos evidente dessa história: para que uma máquina de destruição funcione, ela precisa também de pessoas que aceitem desempenhar suas pequenas funções sem perguntar pelo significado do conjunto.
Pensar criticamente, nesse sentido, não é apenas uma habilidade escolar. É também uma forma de responsabilidade. Significa não aceitar automaticamente aquilo que uma autoridade afirma, não confundir legalidade com justiça e não abandonar o próprio julgamento diante de uma ordem. Talvez seja justamente essa capacidade de interromper a obediência automática e perguntar “o que estou fazendo?” que constitua uma das formas mais importantes de resistência à banalização do mal.
Por fim, é importante lembrar que o fascismo e o nazismo não são apenas temas do passado. Nas últimas décadas, diferentes pesquisadores têm utilizado o termo neofascismo para se referir a movimentos e grupos que, embora atuem em contextos históricos distintos, retomam elementos presentes nas experiências fascistas do século XX. Entre esses elementos podem aparecer a defesa de uma identidade nacional apresentada como superior, a perseguição ou estigmatização de grupos considerados inimigos, como imigrantes, minorias étnicas, religiosas ou políticas, a difusão de teorias conspiratórias e discursos de ódio, a exaltação da violência política, a rejeição de direitos e instituições democráticas e a defesa de líderes autoritários como solução para os problemas sociais. Grupos neonazistas contemporâneos, por exemplo, podem recuperar símbolos, discursos racistas e antissemitas e referências explícitas ao nazismo histórico. O neofascismo, portanto, não reproduz exatamente o fascismo do século XX, mas mostra como determinadas ideias podem ser reelaboradas e adaptadas a novos contextos, tornando necessário reconhecer criticamente suas formas de manifestação.
ReferênciasARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco (org.). Dicionário de política. 11. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998. 2 v.HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 2013.NAPOLITANO, Marcos. História contemporânea 2. São Paulo: Contexto, 2019.PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007.Os slides usados na aula, detalhando o conteúdo estudado.
A videoaula apresenta a reflexão de Hannah Arendt a partir do caso de Adolf Eichmann. O vídeo ajuda a relacionar o conceito à discussão sobre obediência, responsabilidade individual e participação em sistemas de violência.
Zona de Interesse (2023), dirigido por Jonathan Glazer, acompanha o cotidiano de uma família alemã que vive ao lado de Auschwitz e, por meio dessa proximidade, provoca uma reflexão sobre a banalização da violência e a capacidade de pessoas comuns conviverem com o mal.
A partir de exemplos da cultura pop, o youtuber Ora Thiago provoca uma reflexão sobre a presença do imaginário fascista em nossa cultura e sobre como podemos reconhecê-lo e compreendê-lo criticamente.
O site reúne documentos, imagens e informações históricas para compreender a perseguição e o genocídio promovidos pelo regime nazista.
Leia a matéria da BBC News Brasil sobre o crescimento de grupos neonazistas no Brasil. O texto permite relacionar o conteúdo estudado sobre fascismo, nazismo, propaganda, intolerância e construção do inimigo com a permanência e a ressignificação dessas ideias no mundo contemporâneo.
Após estudar o conteúdo, responda em seu caderno:
Cite e explique três características do fascismo.
No fenômeno fascista, qual o papel do líder e como ele é visto pela população?
Qual o papel da propaganda no fenômeno fascista?
Quais transformações em relação ao passado podem ser observadas hoje no movimento neofascista?
O que a filósofa Hannah Arendt quis dizer com a ideia de "banalidade do mal"? Como uma pessoa poderia evitar a prática do mal banal?
(VUNESP 2021) O tema do mal, em Hannah Arendt, não tem como pano de fundo a malignidade, a perversão ou o pecado humano. A novidade da sua reflexão reside justamente em evidenciar que os seres humanos podem realizar ações inimagináveis, do ponto de vista da destruição e da morte, sem qualquer motivação maligna. O pano de fundo do exame da questão, em Arendt, é o processo de naturalização da sociedade ocorrido na contemporaneidade. O mal é abordado, desse modo, na perspectiva ético-política e não na visão moral ou religiosa. O mal banal caracteriza-se pela ausência do pensamento. Essa ausência provoca a privação de responsabilidade. O praticante do mal banal não se interroga sobre o sentido da sua ação ou dos acontecimentos ao seu redor.
Depreende-se do texto que a banalidade do mal na contemporaneidade resulta, segundo Hannah Arendt,
a) da carência de formação religiosa.
b) da irreflexão institucionalizada.
c) da ausência de pacto regulador.
d) da voracidade dos interesses econômicos.
e) da perversidade humana.