O comportamento humano é regido por meio de símbolos, que são passados de geração para geração e que também se modificam. Não há ser humano cujo comportamento não seja regido por meio de símbolos.
Mas e os animais? Os animais não são também regidos por símbolos? Na natureza, o vermelho e o preto muitas vezes não são sinônimos de perigo? Os animais não transmitem mensagens para os outros animais? Não e sim. Os animais não são regidos por meio de símbolos, o que não quer dizer que não possam transmitir mensagens. Eles transmitem mensagens, mas elas são sempre as mesmas para a espécie, por isso são sinais. Já entre os seres humanos, as mensagens variam de grupo para grupo, pois são compostas por símbolos socialmente estabelecidos, que variam de sociedade para sociedade.
O comportamento dos animais é regido principalmente por meio de sinais, enquanto o do ser humano é regido predominantemente por meio de símbolos. Os sinais são organicamente programados, geneticamente transmissíveis e intransformáveis¹.
Diz-se que o sinal é organicamente programado porque faz parte da constituição biológica desses animais se comunicarem da forma como se comunicam. A maioria dos animais, mesmo quando tirados do seu meio, desenvolve as características da espécie, ou seja, age como um membro criado pelo grupo, mesmo que tenham sido separados ao nascer. Já os símbolos são socialmente programados. Uma criança separada de seus pais ao nascer não agirá como eles, mas, sim, como membro do grupo que a criou.
Daí decorre o fato de que o comportamento dos animais é geneticamente transmissível. Afinal, a maioria deles vai se comportar sempre da mesma forma, não importa em qual grupo seja criado. Assim, todos os tigres sempre agirão e se comunicarão por meio dos mesmos sinais; o castor sempre construirá seus diques da mesma forma; assim como as abelhas sempre farão suas colmeias do mesmo jeito. Já o nosso comportamento é regido muito mais pela forma como somos criados.
O papel da educação e do aprendizado é fundamental para que um ser humano possa se desenvolver plenamente. Mas o que cada um deve aprender, como deve se comportar como membro de um grupo, varia de cultura para cultura.
Por fim, é possível compreender, a partir disso, que os sinais entre os animais são intransformáveis, ou seja, não são passíveis de mudança, pois são transmitidos geneticamente de geração para geração. Ao passo que, entre os seres humanos, os símbolos são eminentemente transformáveis, ou seja, variam de cultura para cultura, de grupo para grupo.
Conteúdo adaptado de: RODRIGUES, José Carlos. Antropologia e comunicação: princípios radicais. Rio de Janeiro: PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2003. (Coleção Ciências Sociais, n. 5).Responda no caderno:
Qual é a diferença entre sinais e símbolos segundo o texto, e como essa diferença explica o modo como animais e seres humanos se comportam e se comunicam?
Como falar em instinto de conservação quando lembramos as façanhas dos camicases japoneses (pilotos suicidas) durante a Segunda Guerra Mundial? Se o instinto existisse, seria impossível aos arrojados pilotos guiarem os seus aviões de encontro às torres das belonaves americanas.
O mesmo é verdadeiro para os índios das planícies americanas, que possuíam algumas sociedades militares nas quais os seus membros juravam morrer em combate e, assim, assegurar um melhor lugar no outro mundo.
Como falar em instinto materno, quando sabemos que o infanticídio é um fato muito comum entre diversos grupos humanos? Tomemos o exemplo das mulheres Tapirapé, tribo Tupi do Norte de Mato Grosso, que desconheciam quaisquer técnicas anticoncepcionais ou abortivas e eram obrigadas, por crenças religiosas, a matar todos os filhos após o terceiro. Tal atitude era considerada normal e não criava nenhum sentimento de culpa entre as praticantes do infanticídio.
Como falar em instinto filial, quando sabemos que os esquimós conduziam os seus velhos pais para as planícies geladas para serem devorados pelos ursos? Assim fazendo, acreditavam que os pais seriam reincorporados na tribo quando o urso fosse abatido e devorado pela comunidade.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 23. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. p. 50-51.Responda no caderno:
De acordo com o texto, os exemplos apresentados contribuem para relativizar a ideia de instinto (como o de sobrevivência, materno e filial) e evidenciam a importância dos comportamentos culturalmente transmitidos na vida humana. Discuta com seus colegas e apresente dois exemplos de formas de agir comuns em nossa sociedade que vão contra os nossos instintos.